moda

moda
"...é sempre melhor, no entanto, ser um tolo na moda do que um tolo fora de moda". Immanuel Kant

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Fashion Revolution no Rio de Janeiro

Ontem tive um encontro muito interessante com o Fashion Revolution Brasil, na loja Mutações, de Julia Merquior e Mariana Arruda. A intenção era discutir o consumo responsável na Moda.

As representantes do Fashion Revolution Brasil - Fernanda Simon e Bruna Miranda - fizeram uma apresentação do movimento e do que pretende.

O grupo presente, pequeno, mas com uma energia muito boa, ouviu como ele surgiu na Inglaterra, como um movimento de repúdio às condições de vida e trabalho no setor da moda pelo mundo e, em particular, em homenagem às vítimas do desastre ocorrido em Bangladesh, quando um prédio de oito andares (Rhana Plaza) desabou, matando 1133 pessoas e ferindo mais de 2500.

O dia foi 24 de abril de 2013, e esta data passou a ser o FashionRevolution Day a fim de lembrar que coisas como essa não podem mais acontecer.

Algumas experiências foram apresentadas: umas ligadas à reutilização e ressignificação de resíduos têxteis (Gabriela Mazepa e Debora Nardello), outras ao uso de materiais orgânicos e fibras recicladas (MESCLA | Lucas Arcoverde); outras ligadas a pesquisas no campo da Sustentabilidade (Lilyan Berlim). Todas as experiências apontam para caminhos que se somam na tentativa de trazer novas configurações a um setor que ultimamente tem trazido novidades não tão elegantes (vide Zara, M.Officer, Marisa, Renner etc.).

Entre falas sobre matérias primas e ações sustentáveis, materiais de baixo impacto e corantes, o que ficou claro é que as formas de condução atual da economia e da sociedade, através de comportamentos distorcidos e inconsequentes, vão nos levar a um ponto de difícil retorno. 

Estamos vivendo tempos excepcionais e a nossa forma de viver, de fazer negócios, de consumir e organizar as coisas não está mais funcionando.

Não é uma coisa de se vai acontecer, mas quando. E agora o que devemos fazer é buscar meios de amenizar os impactos.

Mudanças são necessárias, e elas devem ser radicais. Mudanças são impulsionadas por uma nova consciência e pela percepção de que há a necessidade de um grande esforço global rumo a novas formas de re-imaginar a relação conosco, com o outro e com nosso ambiente, isto é, nosso planeta. 





quinta-feira, 26 de junho de 2014

Tudo tem seu preço

Acabei de ler um interessante artigo sobre a Zara, em que é colocado seu modelo de negócio que cada vez mais faz do comprador o “estilista” da marca. Traduzindo: de acordo com a aceitação ou não de determinados produtos, tecidos, formas, detalhes etc., o direcionamento das coleções vai sendo corrigido a fim de dar conta dos desejos de quem compra.

É um modelo de negócio vencedor, senão não teria tornado seu proprietário, Amâncio Ortega, o terceiro homem mais rico do mundo, segundo a revista Forbes.

No entanto, tudo tem seu preço: a partir do momento que damos ao consumidor somente o que ele quer, isto é, algo que está inserido dentro dos padrões e expectativas “normais”, acabamos fazendo sempre o mesmo. Em modelos administrativos, é chamando de buyer driven, isto é, um produto que é construído a partir das demandas do consumidor. Bom, não?

Para mim, nem tanto.

Qual o momento que se propõe o novo, a inovação? Qual o momento do risco, palavra tão temida pela maioria dos empresários? Ao entregarmos somente as expectativas, deixamos de surpreender, positiva ou negativamente (eu sei), mas surpreender!

Qual seria o papel do criador senão trazer o novo? Qual seria o papel do criador senão o de criar tensões para possivelmente chegar ao rompimento? E o novo pode ou não ser aceito, pode ou não ser acatado. Pode ou não dar certo. Poderá ser criticado, rejeitado, desprezado; mas faz parte do ofício.

A despeito das questões de mercado, com marcas com propostas mais ou menos comerciais, ou mais ou menos autorais, o que sinto atualmente é uma enorme falta do novo, de algo que tenha uma real identidade (e não somente burlescas construções de branding) e que justifique o trabalho de tantos e tantos estilistas e designers.

Bem que Diana Vreeland já dizia: “Dê a eles (consumidores) algo que eles sequer imaginaram existir”.

Parece que o mercado, pela maneira que funciona atualmente, não está mais interessado nisto.





sábado, 17 de maio de 2014

A função da moda é tornar-se démodé

Desde que surge, a moda contraria a tradição e propõe que o novo é sempre melhor que o que existe o que o torna velho, melhor dizendo obsoleto.

Antes havia a busca das referências nas elites, que logo que imitadas, mudavam seus estilos e costumes para poderem se diferenciar daqueles que os imitavam. Parecidos, só com seus pares e semelhantes.
Imitar e diferenciar; este é o movimento da moda.

Com o passar do tempo, o sistema de moda foi se modificando, a “ditadura da moda” foi tomando novos contornos e uma suposta autonomia foi dada ao sujeito que passou a ser chamado de consumidor. Os meios de consumo evoluíram e foram surgindo mais e mais segmentações de mercado, o que propiciou que as referências deixassem de ser só das elites. Os sujeitos/consumidores passaram a ser observados em grupos e seus hábitos e costumes passaram a ser analisados a fim de atender melhor suas demandas.

Desta forma, cria-se a possibilidade de uma maior expressão individual, já que qualquer um pode construir sua imagem, bem diferente dos tempos em que estar na moda era adotar rígidas regras. Saia três dedos acima dos joelhos, calça de boca larga, e assim por diante. Quem poderia imaginar que houve um tempo que o que era moda era uma imposição e que todos que queriam estar up to date deveriam adotar seus dogmas? Em tempos de saia longa, a mini era esquecida...

Hoje olha-se um desfile e tenta-se descobrir ao menos algumas tendências, isto é, o que ocorre em maior número (afinal, é uma questão estatística). Há de tudo. Para todos.

Mas uma coisa não muda: mais rápida ou menos rapidamente, a função da moda é tornar-se démodé.


sábado, 12 de abril de 2014

Sábias palavras

Nunca fui muito preocupada com esta questão de me produzir demais, de pensar demais para me vestir. Acho isto um suplício diário da condição feminina. Sou eminentemente básica, o que facilita bastante o processo. Praticamente não uso estampas e peças com muita informação de moda, isto é, de tendências. Gosto da frase de Chanel que dizia que “Elegance is refusal”.
Refusal of what, anyway?
A Moda veio na contramão da Tradição, e afirma que o novo é sempre melhor. Faz acreditarmos que o casaco da estação passada tem alguma coisa que o denuncia que é passado, ultrapassado.
Por que não pensar um pouco mais e entender as palavras de mademoiselle como uma ode à elegância, ou melhor, ao bom senso? Entender que gostar de se vestir bem nada tem a ver com adição aos modismos ou ao consumismo desenfreado.
Recusar-se a comprar o que nos é dito como itens "must-have". Estar elegante - por extensão estar bem - não é estar em conformidade com os ditames alheios; especialmente quando o objetivo principal é vender algo, e não ajudá-lo a ser mais elegante, mais atraente, ou mais seguro.
Recusar-se a aceitar o senso comum de que você sempre precisa de roupas novas, não importando que você já tenha peças suficientes, ou que você não precise (ou possa) gastar mais dinheiro. Ou que o meio ambiente já esteja nos seus limites devido ao consumo irrestrito, irresponsável e sem planejamento.
Recusar-se a ser mais uma vítima da "cor do ano", ou daquela afirmação de que a cor X é o novo preto, por exemplo.  Ou, então, se recusar a acreditar que você tem que ter um arco-íris inteiro em seu guarda-roupa para não ser monótono ou chato.
Recusar-se, enfim, a engolir o que é dito por um exército de “experts” (cujas opiniões muitas vezes divergem) e entender que a Moda se desenvolveu de forma mais consistente em países que dão valor à cultura. E, tal qual expressão de cultura, a expressão de nossa identidade deve vir de uma construção de dados e informações que formarão nosso conhecimento que, então, poderá se transformar em algo interessante.