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"...é sempre melhor, no entanto, ser um tolo na moda do que um tolo fora de moda". Immanuel Kant

terça-feira, 7 de abril de 2015

Jean Paul Gaultier: l´Énfant Terrible

Ele pode ser um dos designers mais famosos do mundo, mas Jean Paul Gaultier parece estar se desencantando com a indústria da moda.”



Quando ouvi falar que Gaultier, o énfant terrible que cativou o mundo da moda desde os anos 70 estava encerrando as atividades da sua marca prêt-à-porter, fiquei curiosa - senão chocada - para saber os motivos, já que, pelo que sei, sua disposição e energia não haviam sido abatidas pelo passar dos anos.

“Roupas demais matam as roupas... A Moda mudou. A proliferação das roupas. Oito coleções por estação - isto é: 16 por ano.”
 
O excesso, algo que tanto me incomoda, atinge a tudo e a todos.

Há algum tempo atrás (2011), eu já havia comentado sobre a decisão de Alaïa de se retirar deste cenário que leva a uma vida brutal, onde a criatividade é arrancada a fórceps, deixando o paciente/criador quase sempre em estado deplorável. A sua frase emblemática “When you have one idea per year, it’s already a miracle! “ traz luzes a um tempo em que a Moda é confundida com a confecção de roupas.

A mesma percepção - de que o número excessivo de coleções que um estilista deve criar é enlouquecedor - também afastou Viktor & Rolf do cenário prêt-à-porter.

Gaultier, a despeito de longa carreira, ainda está bem das pernas e da fama, sendo consagrado por artistas e celebridades, o que não o demove de sua percepção de que a Moda, no estado em que se encontra, deve achar novos rumos.

JPG mantém sua rentável linha de Alta Costura e seus trabalhos de figurino e criação no teatro e cinema.

Madonna com o icônico soutien criado por Jean Paul Gaultier na turnê Blond Ambition



quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

É ruim ser velho. É?

Ser velho é uma condição engraçada, pois nenhum velho se acha velho. Velhos são sempre os outros.

Já há algum tempo, no entanto, que esta coisa de ser velho tem mudado de fisionomia, se assim posso dizer. Ter cinquenta anos hoje não quer dizer que o sujeito já está com a aposentadoria à vista, esperando o momento de parar de trabalhar. Pelo contrário. Cinquenta, sessenta e até setenta se tornaram momentos de virada, de grandes guinadas. Da busca por fazer coisas que tragam prazer.

A moda, sempre de olho em novidades (não é? ;), talvez um pouco enjoada de tantas caras  e  corpos  perfeitos, tem procurado uma certa diversificação de padrões. Belezas que não sejam só traduções de perfeição estética, mas que também tenham algo para contar.

Como se percebe em alguns sites dedicados não somente para o mundo “forever young”,  o olhar tem se dirigido a pessoas reais. Há alguns engraçados e até um tanto alegóricos como o AdvancedStyle, mas no fundo, a moda quer mostrar pessoas de verdade, gente como a gente.

Todos envelhecemos, a despeito de todos esforços e investimentos em plásticas e dermocosméticos. Não tem jeito. Ou envelhecemos com dignidade e elegância ou viramos velhas bocudas sem expressão.

E é nessa aceitação da fase madura que reside o interesse atual de certas campanhas.

Uma das campanhas mais simpáticas, que mostra como há vida além dos sessenta, é a Bright Old Things da Selfridges que, após algumas edições de Bright Young Things, traz criações, ideias e pensamentos de 14 pessoas que vão dos quase cinquenta até depois dos oitenta.

O objetivo principal – como em tudo que é criado hoje em dia – é vender (senão a Selfridges não investiria tanto tempo e dinheiro). Mas é mais do que só isso. Estas 14 pessoas parecem de fato representar uma tendência (real!), pois revelam em suas falas e ações, algo que muitos de nós gostaríamos de acreditar piamente: que envelhecer não é tão ruim quanto parece.

Só depende de sua atitude.

Agora em janeiro de 2015, a Selfridges convidou 14 artistas, designers e músicos
 para criar vitrines originais e produtos de edição limitada 
que serão vendidos on-line e na loja/boutique Bright Old Things





terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Fashion Revolution no Rio de Janeiro

Ontem tive um encontro muito interessante com o Fashion Revolution Brasil, na loja Mutações, de Julia Merquior e Mariana Arruda. A intenção era discutir o consumo responsável na Moda.

As representantes do Fashion Revolution Brasil - Fernanda Simon e Bruna Miranda - fizeram uma apresentação do movimento e do que pretende.

O grupo presente, pequeno, mas com uma energia muito boa, ouviu como ele surgiu na Inglaterra, como um movimento de repúdio às condições de vida e trabalho no setor da moda pelo mundo e, em particular, em homenagem às vítimas do desastre ocorrido em Bangladesh, quando um prédio de oito andares (Rhana Plaza) desabou, matando 1133 pessoas e ferindo mais de 2500.

O dia foi 24 de abril de 2013, e esta data passou a ser o FashionRevolution Day a fim de lembrar que coisas como essa não podem mais acontecer.

Algumas experiências foram apresentadas: umas ligadas à reutilização e ressignificação de resíduos têxteis (Gabriela Mazepa e Debora Nardello), outras ao uso de materiais orgânicos e fibras recicladas (MESCLA | Lucas Arcoverde); outras ligadas a pesquisas no campo da Sustentabilidade (Lilyan Berlim). Todas as experiências apontam para caminhos que se somam na tentativa de trazer novas configurações a um setor que ultimamente tem trazido novidades não tão elegantes (vide Zara, M.Officer, Marisa, Renner etc.).

Entre falas sobre matérias primas e ações sustentáveis, materiais de baixo impacto e corantes, o que ficou claro é que as formas de condução atual da economia e da sociedade, através de comportamentos distorcidos e inconsequentes, vão nos levar a um ponto de difícil retorno. 

Estamos vivendo tempos excepcionais e a nossa forma de viver, de fazer negócios, de consumir e organizar as coisas não está mais funcionando.

Não é uma coisa de se vai acontecer, mas quando. E agora o que devemos fazer é buscar meios de amenizar os impactos.

Mudanças são necessárias, e elas devem ser radicais. Mudanças são impulsionadas por uma nova consciência e pela percepção de que há a necessidade de um grande esforço global rumo a novas formas de re-imaginar a relação conosco, com o outro e com nosso ambiente, isto é, nosso planeta. 





quinta-feira, 26 de junho de 2014

Tudo tem seu preço

Acabei de ler um interessante artigo sobre a Zara, em que é colocado seu modelo de negócio que cada vez mais faz do comprador o “estilista” da marca. Traduzindo: de acordo com a aceitação ou não de determinados produtos, tecidos, formas, detalhes etc., o direcionamento das coleções vai sendo corrigido a fim de dar conta dos desejos de quem compra.

É um modelo de negócio vencedor, senão não teria tornado seu proprietário, Amâncio Ortega, o terceiro homem mais rico do mundo, segundo a revista Forbes.

No entanto, tudo tem seu preço: a partir do momento que damos ao consumidor somente o que ele quer, isto é, algo que está inserido dentro dos padrões e expectativas “normais”, acabamos fazendo sempre o mesmo. Em modelos administrativos, é chamando de buyer driven, isto é, um produto que é construído a partir das demandas do consumidor. Bom, não?

Para mim, nem tanto.

Qual o momento que se propõe o novo, a inovação? Qual o momento do risco, palavra tão temida pela maioria dos empresários? Ao entregarmos somente as expectativas, deixamos de surpreender, positiva ou negativamente (eu sei), mas surpreender!

Qual seria o papel do criador senão trazer o novo? Qual seria o papel do criador senão o de criar tensões para possivelmente chegar ao rompimento? E o novo pode ou não ser aceito, pode ou não ser acatado. Pode ou não dar certo. Poderá ser criticado, rejeitado, desprezado; mas faz parte do ofício.

A despeito das questões de mercado, com marcas com propostas mais ou menos comerciais, ou mais ou menos autorais, o que sinto atualmente é uma enorme falta do novo, de algo que tenha uma real identidade (e não somente burlescas construções de branding) e que justifique o trabalho de tantos e tantos estilistas e designers.

Bem que Diana Vreeland já dizia: “Dê a eles (consumidores) algo que eles sequer imaginaram existir”.

Parece que o mercado, pela maneira que funciona atualmente, não está mais interessado nisto.